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Amigos inseparáveis

por Oscar Gama Filho

A Alegria, a Generosidade e o Amor eram três crianças inseparáveis em suas brincadeiras e em seus afazeres. Estavam sempre juntos na escola e fora dela.

Adoravam inventar novos jogos para assim usarem de ponte na travessia do Rio do Dia-a-dia. É que asperezas e dificuldades e problemas foram criados para que os infantes crescessem sempre que achassem uma solução para eles. De fato, quanto mais grandioso for o sábio, maiores foram os desafios que ele resolveu.

Certa vez, atravessaram a ponte do Rio do Dia-a-dia e foram brincar de pique-esconde na floresta encantada dos sonhos não realizados de todos nós, que só as crianças podem alcançar.

Tiraram par-ou-ímpar a fim de decidirem quem iria se esconder e quem iria procurar os outros. Ganhou a Alegria a posição da procura, que, na verdade, é uma perda: sabemos que os adultos sentem alívio quando se escondem de seus entes queridos. Assim não pensam os pequeninos — não há prazer maior do que o estar-junto. E os que se escondiam é para a certeza de serem achados, não esquecidos para sempre.

Foi combinado que a Alegria contaria até cem para que os amigos se escondessem. Mas, à medida em que a contagem se adiantava até cem, a sensação de estar sem os outros apertava o seu coração, que batia mais rapidamente do que a sucessão de números galopando boca afora, num tropel asfixiante. A diminuição de seu coração era tão forte que os seus amigos, em comunhão com a Alegria, podiam sentir o mesmo cada vez em que respiravam.

Foi aí que a Alegria percebeu que não bastava ser alegre se a Generosidade e o Amor não estavam por perto. De que adiantava tanto riso sem ter com quem compartilhar. Rir-sozinho não tem graça. Ninguém inventa ou conta piada para si mesmo: precisa da complacência da Generosidade e do prazer do Amor no coração para se sentir feliz.

Por outro lado, de que vale a Generosidade sem a Alegria e o Amor?

E para que serve o Amor se não houver a Generosidade e a Alegria por perto?

Foi por isso que a  Alegria, em lágrimas, interrompeu a contagem, com Saudade. A nova amiga os abraçou e a partir daí os quatro foram felizes para sempre.

Jamais — nem de brincadeira — se separaram novamente.

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Este conto foi escrito a partir de um roteiro de Silvana Delazari, minha esposa, em 22/10/2006, que criou o tema em nosso consultório psicológico, durante uma sessão em que tratávamos de uma criança portadora de fobia social.

1 Comentário

  1. José Augusto Carvalh em 19 de dezembro de 2010 às 10:21 | Permalink

    Adorei, Oscar. Parabéns. Um abraço do JAC

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